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terça-feira, 4 de outubro de 2011

3 poemas e um video

I want to thank dkmasterflow, for letting me use his wonderful work as background to my words: "se aqui estivesses...", "gosto de te pensar...", "disseram que voltarias...", (in "do Amor e Da Espada"; Teresa Cuco,editora corpos, 2009) Voz: Teresa Cuco

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

não sei...

não sei onde morrerá a loucura
nem sei quantas vezes contarei os passos
que distam do teu andar
sem nunca
jamais
te alcançar.

(Teresa Cuco)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

respira...



voz: Teresa Cuco
captação audio: João Cágado
autoria: Teresa Cuco

in: do Amor e da Espada, corpos editora, 2009;

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Deito por terra

Deito por terra

o que sobra das palavras

que não digo.

Redondo é o teu olhar.

E é de vidro

este silêncio

a que me obrigo.

(Teresa Cuco)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Ergues as mãos que te restam

Ergues as mãos que te restam

e rezas como podes a um Deus

em que não acreditas

amas sem entrega

a um amor que não sentes

caminhas mas não são teus esses passos

embaraças-te...vacilas

mas não é tua essa dúvida

vives os dias que outros

te emprestaram

hipoteca sem termo

de uma razão adiada.

(Teresa Cuco)

Os homens saíram da pressa...

Os homens saíram da pressa
e fecharam para sempre
as gavetas da impaciência
abandonaram os olhos e as mãos
da noite
e quiseram perder-se
para se encontrar
no silêncio da lua
no leito da terra
no arco-íris doutro tempo
no tempo doutras idades
quiseram ser mágicos
e foram magia
quiseram ser puros
e foram livres.

(Teresa Cuco/inédito)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Tenho saudades desse que me morreu

Tenho saudades desse que me morreu.
que adivinhava as minhas mágoas
que me falava sempre a verdade
e me ensinava a espalhar estrelas
e a desbravar alvoradas.
na almofada do seu peito
eu descobria o nome de todos os vendavais
que nasciam no meu peito
e se deitavam nos trigais.
e eu aprendia a confiar.
e eu confiava.
por ele, correria o mundo inteiro.
com ele, eu vencia os maiores temores
e eu era a força e a palavra.
era livre como o vento.
e voava…
voava.
tenho saudades do meu amigo.
sim, esse que me morreu.
e me levou a liberdade.
e me deixou vazia.
sozinha.
sem nada.

(do Amor e da Espada, corpos editora, 2009, Teresa Cuco)


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Frágil

Frágil

o momento em que me sustenho
no respirar de mais um dia

Fugaz

o Deus que me habita
quando a noite vem
e o silêncio é uma ferida

Pequeno

o mundo que me aperta
e obriga

Triste

a palavra que nunca deveria ser dita.

(Teresa Cuco-inédito)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Diz-me onde mora Aquele que não se diz

I.
Diz-me onde mora Aquele que não se diz
o Inominável, o Vazio, O que não tem forma…
que eu corri montanhas e travei guerras
desci aos meus medos mais profundos
estalei no meio da dor
castiguei-me em mil tormentas
ardi no caos das descobertas
fui amada e odiada
amei-me e odiei-me
morri no fogo da incerteza
afoguei-me no meio da lama
abri caminhos por entre as chamas
procurei por mim sem saber quem era,
e mais perdida no fim me achei
do que quando comecei;
diz-me onde mora Esse de que falam
que acalma os corações dos aflitos
que abraça e ama a todos por igual
que não condena nem julga nem oprime
que pacifica os vendavais
e segreda a brisa dos trigais
diz-me
diz-me
diz-me tu…ou mata-me
porque eu já não sou capaz!


II.
Eu não te posso dizer a morada d’Aquele que não se diz, que não tem nome, nem forma, nem vontade, que apenas É!
Só te posso dizer que encontrarás a Sua morada quando encontrares a tua Casa, e que para encontrares a tua Casa terás de morrer mil vezes e outras tantas te perderes no meio de encruzilhadas.

(Teresa Cuco - do Amor e da Espada, 2009,Corpos Editora)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

não me morrerás




Não me morrerás

nem os silêncios se instalarão como espadas

nem me conformarei a um qualquer determinismo

Não te matarei

enquanto o espelho me devolver no meu o teu rosto

e o sangue me correr nas veias

como o rio que ainda é nosso.

O nosso rio.

Não nos abandonarei

enquanto tiver nos braços o abraço

e no coração a intrincada renda

do nosso amor.

(Teresa Cuco -inédito)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

um dia ...

Um dia entrara no templo das trevas
nas malhas encantadas
por sábias mãos tecidas.
Caídos os panos
soltas as feras
agigantou-se a sombra
de tudo o que deveria ter sido
e não foi.
Agora era
faminta e desgrenhada
devoradora de noites cerradas
fantasma dos que morreram
de todas as formas que é possível morrer-se.
Grito dos que sobreviveram
de todas as formas que é possível sobreviver-se.
Era mendiga e era a sorte
Era a renúncia.
A aflição.
O desnorte.
E era, um pouco mais além,
a sua própria morte.
Um dia,
de alguma forma,
entraria no templo da água
resgataria a sua terra prometida
e Saberia toda a Verdade.

(Teresa Cuco-inédito)

domingo, 18 de abril de 2010

explicaram-me as leis da Física...

Explicaram-me as leis da Física
falaram-me da gravidade
do atrito
da velocidade e do peso
das forças centrífuga e centrípeta
do asfalto
da inclinação
do vento e do tempo
da iluminação
das condições psicológicas
das condições fisiológicas
tempo de percepção
e tempo de reacção
fizeram desenhos e
traçaram trajectórias...
velocidade
travagem
impacto
força
capotamento
arrastamento
colisão
............................................
Depois disseram-me que era melhor
não pensar
(assim conquistaste a eternidade da minha memória;
chorar-te-ei para sempre)

(Teresa Cuco)

Os teus olhos...

Os teus olhos falam-me
de caminhos que só as estrelas entendem
dizem-me poemas e paisagens
que só a noite segreda
os teus olhos falam-me
de mãos e de corpos
e de risos
de manhãs claras
falam-me de tudo o que fui
de tudo o que sou
os teus olhos são o espanto
a descoberta
o rio
a que me dou.

(Teresa Cuco-inédito)

os velhos desfiam as horas...

Os velhos desfiam as horas
por detrás das vidraças
contam os dias da solidão
têm memórias de quem passa
todos os dias
para lá da vidraça
contam os passos apressados
e palpita-lhes o coração
quando os passos morrem
na calçada
junto à vidraça
Para lá dela, há outros velhos
que passam
têm guias e bonés e carteiras
a tiracolo
falam línguas estranhas
e calcorreiam em bando
as ruas e as praças da cidade
Param
Filmam
Tiram fotos das fachadas
E das janelas
Por detrás das quais, os velhos,
-os outros- desfiam as horas
e contam os passos
de quem passa.

(Teresa Cuco)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

sei do que falas...

Sei do que falas.
Sei da noite a agigantar-se
medonha
Sei dos tentáculos a multiplicarem-se dentro das horas
e das horas a encolherem-se dentro dos dias.
Sei do barulho na cabeça
a empurrar o silêncio
a minar o silêncio
a sufocar o silêncio
Sei do peso sem palavras
sem gestos
sem rostos
peso da agonia
do beco sem saída
a entranhar-se por dentro da esperança
Sim.
Eu sei do que falas.
Sei do que sentes.
Sei das guerras, dos tormentos
das esquinas sem ruas e sem praças
e de andar perdida
sem encontrar a minha casa
E sei do medo
E da morte
Eu sei.
Por isso não quero que saibas.

(Teresa Cuco)

agora...

Agora
agita-se o coração
e baralham-se as palavras
permaneço aqui-ainda aqui-
na ideia da minha Casa
e vou e voo neste céu
e deito-me e flutuo neste chão
e ergo-me em mim
nesta prece de pedras sagradas
que mudas reverenciam
a memória de outras Casas
e o meu coração enche-se do Silêncio
e o meu peito banha-se deste universo
e eu já não tenho medo
porque já não quero
E a minha estrela está lá.
No coração da terra.


(Teresa Cuco)

senta-te aqui...

Senta-te aqui

Sossega em ti

Não prendas a vida

Aceita os limites

Aceita o tempo

Aceita o medo

Assim os transcenderás.

(Teresa Cuco)

sou quem sou...

Sou quem sou

no espelho dos teus olhos

Pouso o coração

nas tuas mãos em concha

e acredito na magia

da minha solidão.

Eu cruzei mares para te ver

Trazia um caminho no sangue

e uma luz

única

urgente

para te devolver.

(Teresa Cuco)

fecho-me aqui...

Fecho-me aqui
ao redor de ti

Depois ergo uma noite
sem fim

Penduro estrelas no meu céu

Beijo a boca das palavras

E deito-me no silêncio.

Sem mágoas.


(Teresa Cuco)

Estende-se a meus pés ...

Estende-se a meus pés
o mar da vida

A outra metade da vida

O colo de um Deus oculto

Os braços de uma mãe paciente

Toma a minha mão

Sejamos crianças

Na outra metade da vida.

(Teresa Cuco)